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Estás disponível para ver as coisas como realmente são? (Caminho da verdade)

Temos muito medo da verdade. E o que é isto da verdade? É aquilo que não é mentira. Temos medo que as ilusões que fomos construindo de como a vida e as pessoas devem ser, comecem a dissolver-se. Isto porque, as construimos para nos sentirmos mais seguros e protegidos. Criámos e agarramo-nos a estas ilusões como forma de não sentirmos determinadas coisas. O medo que querer ver as coisas como realmente são, é o medo de sentir certas coisas no nosso corpo. Por isso as ilusões lá estão.


Por exemplo, podemos achar que se encontrarmos aquele relacionamento, ou se tivermos aquele dinheiro, então tudo vai estar resolvido e vamos encontrar aquilo que tanto andamos à procura. Isto é uma ilusão, e para muitos de nós é muito difícil começarmos a largar estas ideias, pois vamos ser confrontados com a verdade de como as coisas realmente são. Vamos ser confrontados com aqueles sentimentos de que andamos a fugir.


Tendemos, até começarmos a priorizar verdade e liberdade, a defender as nossas próprias ilusões perante outras pessoas. A energia que despendemos a defender com rigidez as nossas ideias, é a tentativa de manter a ilusão ativa. Tenho vários exemplos desses na minha vida. Situações em que reagia com intensidade a dizer que uma coisa era de determinada forma, e passado algum tempo (às vezes horas, outras vezes meses ou anos), conseguia ver que afinal eu não tinha razão.


Querer ver as coisas como elas são, é também abandonar a nossa necessidade de querer ter razão, ou a nossa arrogância. Podemos dar a nossa opinião de um lugar tranquilo ou de um lugar reativo. Quando é de um lugar reativo, significa que não estamos disponíveis para comunicar. Por outras palavras, estamos em modo de sobrevivência a tentar defender o nosso ponto de vista. Perder essa "guerra", coloca-nos em contacto com a frustração que já existe, com a solidão e com a dor. Com o sentimento de que não temos valor ou que os outros são melhores que nós.


Querer ver as coisas como elas são, é mesmo essencial se queremos sentir-nos mais livres no nosso próprio corpo. E para isso necessitamos estar dispostos a priorizar a verdade em vez da ilusão. Todos esses conceitos acumulados ao longo do tempo de como a vida é ou deve ser, é um fardo pesado para se carregar. E à medida que o vamos soltando e libertando, vamos automaticamente sentindo-nos mais leves e mais conectados connosco e com os outros.


Esta arrogância de acharmos como as coisas devem ser, faz-nos também sentirmo-nos desconectados dos outros. O sentimento de solidão que possamos sentir, não é nada mais nada menos do que a desconexão connosco, com o nosso mundo interior e consequentemente com o mundo exterior.


"Só a verdade te libertará", e até estarmos dispostos a olhar para as mentiras que temos contado a nós mesmos, o sofrimento é inevitável. O sofrimento é um grande mestre. O sofrimento proporciona-nos uma reflexão mais profunda e uma atitude mais humilde perante a vida. Humildade não significa submissão, significa também estar aberto para a vida e para o nosso mundo interior.


A solução passa por deixarmos de fugir de nós mesmos e da vida. Assumirmos que não sabemos assim tanto quanto pensamos que sabemos. Deixar de fugir das nossas emoções e estar dispostos a deixar cair as máscaras ou personalidades que limitam a nossa livre expressão. Quando assim é, aqueles sentimentos ou emoções que ficaram perdidos no passado, podem então ter espaço para se exprimirem, serem processados e integrados, e com isso vamos sentir cada vez mais a liberdade para sermos como realmente somos.

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