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As máscaras que usamos para nos sentirmos mais seguros

Atualizado: 3 de dez. de 2023

É realmente muito importante reconhecer que estratégias usamos para obtermos um sentimento de maior segurança. Que personalidades estamos a usar que encobrem o que sentimos interiormente? Podemos estar habituados a usar a máscara do "bonzinho" ou "simpático". Ou a máscara do "confiante", do "independente", do "tímido", do "coitadinho", do "justiceiro", do "sedutor", do "humilde", ou uma das mais súbteis, do "espiritual". (existem muito mais)


A máscara é uma autoimagem que "dá jeito" e uma estratégia para obter algo. Só que por já estarmos tão habituados e identificados com elas, acreditamos que somos assim. Estes traços de personalidade têm todos uma coisa em comum: todos são estratégias inconscientes para nos sentirmos mais seguros, íncluidos ou amados. Se, por exemplo, acharmos que somos inferiores aos outros, isso pode ser uma forma de não nos expormos tanto ao mundo exterior e de ficar "no nosso canto". Uma forma de autoproteção. A máscara do confiante, pode estar a ser usada para garantir que os outros têm uma melhor imagem de nós mesmos, e com isso vamos sentir-nos mais íncluidos.


Se formos realmente muito honestos, vamos observar que existem tanto máscaras de vitimização como de "fingir que somos algo mais". Têm apenas expressões diferentes. Uma parece mais apagada e outra mais confiante, mas ambas vêm de um sentimento de algo pode acontecer se mostrarmos quem realmente somos. Vem de um medo mais profundo e de um sentimento de inadequação.

Se mostrarmos as nossas vulnerabilidades, o nosso medo, a dor e tristeza ou raiva que sentimos, o que pode acontecer? Todas estas máscaras são formas de manter ocultos estes estados emocionais. São formas de não termos de lidar com aquilo que sentimos num nível mais profundo.


Por isso existe tanto apelo a terapias e práticas que saltam a etapa de lidar com emoções desconfortáveis. Queremos o caminho mais rápido, o que acaba por não resultar porque continuamos a querer evitar olhar para a causa.


Acontece com alguns clientes, quando faço algumas perguntas, tentam evitar responder começando a contar uma história que desvia a atenção do essencial. É o mesmo com as máscaras. Elas fazem-nos sentir sufocados, apertados, tensos, agitados, deprimidos, e enquanto não reconhecermos que as estamos a usar e que têm um determinado beneficio, não as podemos de facto largar.


Lembro-me de um cliente, que quando foi colocada a hipótese de largar a máscara do "inferior" (ou seja, sentir-se menos que os outros), lágrimas começaram a escorrer-lhe pela face e um sentimento de medo começou a tomar conta dele. As lágrimas porque representavam o "perder algo" que se tornou familiar, e o medo porque a máscara estava a compensar o medo que estava reprimido.


Por isso, a solução não passa tanto por deixar cair as máscaras, mas por reconhecer as emoções que estão a ser encobertas por estas personalidades, e começar a fazer as pazes com elas. Quando assim é, já não há necessidade para usar determinada máscara e como isso vamo-nos sentindo mais livres para nos exprimirmos naturalmente.

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